[VÍDEO] Padre critica cachorros pajens e recusa bênção matrimonial: “Isto é o cúmulo”

Depois de criticar a presença de cachorros no altar, padre se recusa a oficiar o casamento.

No dia “mais feliz de suas vidas”, Brenda Jamille e Antônio Eliwelton da Silva tomaram um verdadeiro banho de água fria: quase na hora de dizer o “sim” e viver feliz para sempre, o casal sofreu uma séria reprimenda por parte do padre responsável pela cerimônia de casamento, que criticou a presença de dois cachorros no altar e recusou-se a dar a bênção matrimonial tendo “animais” por testemunhas.

Brenda e Antônio Eliwelton planejaram em detalhes o momento da união oficial. Além de escolher os padrinhos e convidados, distribuir convites, organizar a festa, preparar os trajes especiais e pagar as taxas do cartório e da igreja (esta última, de R$ 310), eles planejaram ter a companhia de dois pajens especiais: Pipoca e Scooby, os cachorros que, a partir daquele dia, também teriam uma vida nova pela frente.

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Imagem: Arquivo Pessoal/Antônio Eliwelton Rodrigues da Silva

Um casamento indigesto

De acordo com o plano dos noivos, os dois cachorros atravessariam a nave da igreja ao lado dos tutores, devidamente trajados para participar da cerimônia solene. O cortejo nupcial começou conforme o planejado, mas o sacerdote não gostou nem um pouco da presença dos peludos.

O casamento aconteceu no dia 14.05.22, em pleno mês das noivas, na Paróquia São Sebastião, de Nova Olinda, cidade de 15 mil habitantes, a 560 km da capital Fortaleza, em pleno sertão do Cariri, no sul do Ceará.

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Imagem: Arquivo Pessoal/Antônio Eliwelton Rodrigues da Silva

Evidentemente, a cerimônia estava sendo gravada. Além disso, muitos convidados aproveitaram os próprios celulares para registrar a união. Mas, quando a noiva finalmente chegou ao altar, o padre César Beltrão, oficiante da cerimônia, recusou-se a dar procedimento.

Nos vídeos – diversos deles foram disponibilizados na internet – é possível ouvir claramente o padre criticar: “Isto é o cúmulo”. Para o sacerdote, a presença de cães na “casa de Deus” é uma situação insuportável. Veja o vídeo:

À imprensa local, o noivo afirmou que a atitude do padre deixou os noivos, padrinhos e convidados totalmente perplexos. Antônio Eliwelton disse ainda que a presença dos cachorros na igreja havia sido combinada no dia anterior ao da cerimônia.

Os repórteres tentaram conversar com o padre César, mas este se recusou a dar entrevistas. A assessoria da Diocese do Crato, à qual está vinculada a Paróquia São Sebastião, afirmou que o caso será analisado em reunião do Colégio de Consultores com o bispo diocesano. A data ainda não está marcada e só depois desse encontro a diocese tratará do assunto publicamente.

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Imagem: Arquivo Pessoal/Antônio Eliwelton Rodrigues da Silva

O noivo, no entanto, foi categórico ao dizer que havia consultado a igreja: “Para evitar qualquer imprevisto, perguntamos ao secretário paroquial se haveria algum problema. Ele afirmou que não, pois o padre não iria achar inconveniente”.

Antônio Eliwelton prosseguiu o desabafo: “Ficou um clima ruim demais. Na hora em que os cães entraram, o padre disse que aquilo era inaceitável, que era um absurdo dois cães entrarem com as alianças, dois cães estarem naquele local”.

O anticlímax

Depois da reação negativa do sacerdote, Pipoca e Scooby foram retirados rapidamente da igreja por familiares dos noivos, para impedir a interrupção da cerimônia: os cachorros não puderam testemunhar a união nupcial dos tutores.

O noivo pegou as alianças rapidamente e entregou para o sacerdote, cujo humor mudou rapidamente ao ver que a sua “ordem” tinha sido acatada. Mesmo assim, ele pediu para que os noivos e padrinhos assinassem o livro de registros e deixou o altar em direção à sacristia.

A cerimônia de casamento foi encerrada sem a bênção final, sem o momento que todos os convidados esperam, quando o padre diz solenemente: “Eu vos declaro marido e mulher”. Todos ficaram constrangidos com a situação.

Ativistas

Brenda Jamille e Antônio Eliwelton trabalham como balconistas no comércio de Nova Olinda. Além das atividades profissionais, há quatro anos, eles fundaram o Instituto Lilica, uma entidade de defesa dos animais que, até o momento, já acolheu e encaminhou 130 cachorros e 40 gatos.

Pipoca e Scooby, os dois cachorros que tiveram uma participação relâmpago no casamento, foram resgatados pelo Instituto Lilica há vários meses. Scooby, inclusive, tinha sido atropelado e contraiu uma infecção que o obrigou a ficar em tratamento por 12 semanas.

Pipoca, por seu lado, tinha sido abandonada em um terreno baldio. Ela tinha uma doença grave, que acabou levando a cachorra à cegueira. O casal tratou dos dois animais, apaixonou-se por eles e decidiu adotá-los.

Brenda, Antônio, Pipoca e Scooby vivem juntos há meses. O casal cuidou dos cachorros com todo o tratamento necessário, até que viu os peludos brincando, correndo e demonstrando amor. Eles mereciam um pouco mais de respeito.

Moral da história

Levar Pipoca e Scooby à igreja e planejar uma posição de destaque para a dupla canina não foi, como se pode depreender, apenas um desejo dos noivos. Mesmo que fosse, deveria ser respeitado, mas a presença dos cães também serviu para ajudar a causa do apoio aos animais de rua.

Toda religião é respeitável em seus fundamentos. Não é preciso aceitar crenças e dogmas, mas tolerar todas as pessoas em suas convicções fundamentais é imprescindível para a convivência social e para a construção de relacionamentos saudáveis e produtivos.

Da mesma forma, sacerdotes de todas as religiões têm direito a definir regras para a condução dos ritos. Neste caso, porém, os noivos afirmaram ter dado ciência à igreja da presença dos cães no casamento. Recusar uma bênção é uma atitude intolerante.

Religiões e crenças se baseiam na fé, mas devem igualmente existir em um clima de respeito, confiança, tolerância e amor. Em pleno século 21, não é possível fiar uma instituição religiosa que, mesmo que seja através de um único dos seus sacerdotes, impeça, proíba ou dificulte a presença das criaturas – os seres vivos da Terra.

Não se sabe quais serão os desdobramentos do comportamento hostil do sacerdote. Mas, mesmo que a diocese se pronuncie pelo direito de os cães levarem as alianças ao altar, um sonho foi desfeito: não é possível repetir a cerimônia de casamento e, mesmo que fosse, seria inviável garantir o impacto positivo da presença de Pipoca e Scooby no altar. Os humanos ainda têm muito a aprender sobre os relacionamentos.

Veja o vídeo do momento que os cachorros levam as alianças:

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