Mulher viaja 900 km para devolver cachorro perdido

O cachorro perdido foi identificado graças a um chip, mas estava a 900 km de casa.

Por mais cautelosos que sejam os tutores, cachorros podem se perder ao menor descuido. Foi o que aconteceu com Chris, que conseguiu se soltar da coleira e saiu em disparada. O cachorro foi perdido em Hayden, no norte do Alabama (sudeste dos EUA), e encontrado apenas um mês depois.

Mas a identificação do cachorro gerou ainda mais problemas. O cachorro mestiço de poodle foi recolhido em Burgaw, na Carolina do Norte, mais de 900 km distante de casa. A tutora não tinha condições de fazer a viagem para buscá-la. Então, uma mulher estranha se dispôs a levar Chris de volta para casa.

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A saga de Chris

O pequeno mestiço preto escapou de casa quando conseguiu se livrar da coleira e correr para longe da tutora, Stacey Staton Elam. Não se sabe como, o cachorro cruzou o Alabama, a Geórgia e a Carolina do Sul, até ser apreendido no Condado de Pender, na Carolina do Norte.

Chris recebeu este nome em homenagem ao falecido marido de Stacey. Mãe e filho sempre foram muito próximos e, por isso, a tutora ficou desesperada para encontrar o peludo. Ela postou fotos nas redes sociais, percorreu toda a vizinhança e deixou a cidade em alerta, mas não havia sinais do poodle.

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No total, a pé ou de carona, o cachorro percorreu 965 km em menos de um mês. Ele acabou sendo acolhido no Pender County Animal Shelter, que conseguiu localizar o microchip de identificação com os dados de Chris.

Com o chip, os responsáveis pelo abrigo tiveram acesso ao nome, endereço e nome da tutora do peludo. O mistério, porém, continuava: de que maneira o cachorro conseguiria ter viajado por quatro Estados em tão pouco tempo?

O Pender County Animal Shelter entrou em contato com Stacey por e-mail, informando sobre o encontro de Chris. A tutora, no entanto, é portadora de deficiência física e não tinha como viajar até a Carolina do Norte para buscar o cachorrinho adorado.

O resgate

Então, uma mulher desconhecida entrou em cena. O abrigo do Condado de Pender tinha postado fotos e a descrição de Chris nas redes sociais – quando foi acolhido ele recebeu o nome de “Gordo”.

Com as atualizações sobre o caso, Holly Stahl, moradora da Carolina do Norte, ficou sabendo que a tutora de Chris/ Gordo tinha sido identificada, mas não tinha condições de fazer uma viagem tão longa. A mulher, que não conhecia Chris nem Stacey, resolveu ajudar.

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Ela escreveu em sua página no Facebook: “Eu não podia deixá-los; então, lá fui eu para o Alabama. Sou abençoada por ter podido ajudar. Foi totalmente reconfortante reuni-los”. Holly e Chris fizeram uma viagem de carro de mais de nove horas.

Antes do reencontro, Holly fez questão de melhorar a aparência do cachorrinho. Os poodles são cães de pelo longo e crespo: o visual de Chris, depois de um mês “na estrada” não estava nada convidativo. O cachorro estava completamente desgrenhado.

É quase impossível descrever a reação de Stacey quando finalmente reviu o companheiro de todas as horas. À imprensa local, ela contou sobre o reencontro:

“Quando Holly chegou e Chris pulou em meus braços, foi como se nunca tivéssemos nos separado. Eu estava no céu. Foi difícil perder Chris, que me ajudou no momento mais difícil da vida, quando perdi o meu marido.”

Stacey sentiu ter perdido a conexão com o Chris “humano” (o marido) quando o Chris “cachorro” escapou da coleira. Por algum motivo paranormal, o reencontro com o peludo aconteceu no aniversário de casamento de Stacey e Chris.

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A tutora acredita que o Chris humano guiou o Chris cachorro em sua saga pelas estradas do sudeste americano: “Eu sei que meu marido Chris tem uma mão nisso tudo”, declarou Stacey. Seja como for, a bondade e o desprendimento de Holly foram fundamentais para garantir este final feliz.

Microchips

A história de Chris e Stacey é um bom exemplo dos benefícios que a microchipagem de animais de estimação proporciona. Se não fosse pelo chip, o poodle nunca teria sido encontrado, especialmente considerando a distância que ele percorreu.

O microchip é um circuito eletrônico do tamanho de um grão de arroz, que é inserido sob a pele dos pets com uma seringa. O dispositivo permite gravar algumas informações sobre os animais e seus tutores.

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O equipamento não serve para rastrear animais perdidos. Ele pode ser acessado através de um scanner, que consegue ler os dados acumulados sem necessidade da retirada do microchip. O dispositivo de leitura está disponível em diversas clínicas veterinárias e alguns serviços públicos.

Em países como os EUA, a Espanha e a Grã-Bretanha, a microchipagem de animais domésticos e de estimação é obrigatória. É facultativa no Brasil, mas cada vez mais tutores optam por este método de identificação.

O microchip não causa nenhum dano à saúde dos pets. Ele é introduzido com uma agulha semelhante às usadas na vacinação – os peludos sentem apenas uma picadinha. O aparelho não precisa ser substituído: ele é confeccionado com biovidro cirúrgico, material com vida útil de até cem anos.

Não há restrição ao porte ou peso dos animais que receberão o microchip, que pode ser inserido a partir do décimo dia de vida. Normalmente, os veterinários introduzem a identificação entre dois e três meses de idade, mas não há contraindicação para animais adultos.

A implantação correta do microchip impede que ele se desloque embaixo da pele do animal. Em outras palavras, o equipamento permanece sempre no mesmo local, sem prejuízo de nenhuma estrutura anatômica.

Em viagens internacionais, o passaporte de cães e gatos é emitido apenas com o certificado de microchipagem. Por isso, quem pretende embarcar em viagens para fora do país, com exceção do Mercosul, precisa fazer a identificação eletrônica.

Não existem estudos no Brasil, mas um levantamento da associação veterinária americana, que envolveu mais de 7.700 animais perdidos, mostrou que 52% dos portadores de microchips conseguiram ser devolvidos aos tutores, contra apenas 21% dos animais não identificados.

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