Mulher foge da guerra carregando cachorro idoso nas costas por 15 km

Esta mulher fugiu da guerra com a família e os cachorros. Um deles teve se ser carregado nas costas.

Esta mulher teve de deixar a sua terra natal em busca de segurança para a família: crianças e cachorros. Todos tiveram de caminhar por diversos quilômetros e um dos peludos, já idoso, precisou ser carregado nas costas.

Guerras são sempre indefensáveis, mesmo quando eventualmente os motivos que as geram são válidos. Os conflitos também produzem histórias de tristeza e dor, como a fuga desta família, que cruzou a fronteira da Ucrânia com a Polônia carregando os poucos objetos que conseguiram transportar.

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TWITTER/ VISEGRÁD 24

A fuga de Alisa

Esta mulher ucraniana de 35 anos empreendeu uma jornada difícil. Ela, com as crianças e cachorros da família, andaram por 15 km, sempre por caminhos alternativos, até atingir a segurança no país vizinho. Em diversos trechos da caminhada, Alisa carregou um cachorro idoso, que não aguentou tanto esforço físico.

A vida não tem sido fácil para Alisa. No dia 23.02.22, ela perdeu o pai, de causas naturais. No dia seguinte, a Rússia invadiu o território ucraniano. A mulher deixou o marido para trás, porque os homens com menos de 60 anos estão impedidos de deixar o país.

O relato da mulher é emocionante: “Eu perdi um monte de coisas. Perdi meu pai inesperadamente, com 59 anos. Deixei meu marido para trás da fronteira. Está sendo muito difícil para mim, porque nós nunca estivemos separados. Ele é parte de mim e agora não está comigo. Não há homens no nosso grupo”.

Alisa lembra que a guerra mudou tudo. Centenas de milhares de moradores de Kiev, a capital da Ucrânia, começaram a se mobilizar para deixar o país, apesar de os confrontos, no início, terem ficado limitados ao oeste do país.

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THE GUARDIAN

Enquanto cidadãos de Kiev fugiam, Alisa e o marido tentavam providenciar documentos para enterrar o pai. No pânico que se instalou rapidamente, o casal teve que visitar o necrotério, a agência funerária, órgãos da prefeitura de Kiev e cartórios para obter a certidão de óbito.

Sirenes soavam de tempos em tempos, tanques percorriam as ruas de Kiev e Alisa continuava tentando enterrar o pai. O cartório fechou as portas e o crematório não queria aceitar o corpo do pai. Superado o trauma, chegou a hora da separação.

Alisa diz que, antes da guerra, trabalhava em uma empresa alemã, como programadora e desenvolvedora de sites. Ela teve de deixar o país em um carro de passeio, que transportava a mãe, a irmã, quatro crianças, dois cachorros grandes, o marido e o cunhado – os homens acabaram sendo barrados na saída.

A ucraniana conseguiu afastar-se 140 km de Kiev, atingindo uma vila próxima à fronteira com a Ucrânia. A curta viagem consumiu longas 16 horas, com nove ocupantes no carro compacto, inclusive o pastor alemão da família (este é o animal idoso).

A vila, apesar de distante do palco das batalhas, também oferecia riscos. A família resolveu tentar atravessar a fronteira, mas Alisa passou alguns dias – três ou cinco, ela não consegue precisar – tentando se afastar do horror da guerra.

Quando faltavam 17 km para atingir a fronteira, o carro em que viajavam quebrou. Todos tentaram seguir a pé – foi nesse momento que os dois homens (o marido e o cunhado) foram identificados e convocados para a resistência à invasão.

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Alisa, a mãe e a irmã, com as crianças e os cachorros, tiveram de continuar a pé. A região fronteiriça é montanhosa e cortada por diversos riachos – o que poderia ser uma bela paisagem aumentava ainda mais a sensação de frio.

As crianças choravam e Alisa estava desalentada. Ela confessou que, se estivesse sozinha, teria parado ali mesmo, à beira da estrada, e chorado como os filhos. A mulher, contudo, percebeu que precisava ser forte: a mãe estava apavorada, e ela precisava demonstrar uma resistência que não tinha.

O pastor alemão da família (é uma fêmea, aliás) já completou 12 anos de idade. A cachorra lutava para seguir em frente, mas caía e ficava prostrada a cada poucos metros. Alisa tentou parar alguns carros e pedir carona, mas todos os motoristas recusaram.

Alguns fugitivos chegaram a sugerir que a família abandonasse a cachorra, que estava atrasando a marcha. Mas Alisa sabe que os dois cães são membros da família: os peludos os acompanharam em momentos felizes e tristes – eles não mereciam ser deixados para trás.

A cachorra, na verdade, pertence à mãe de Alisa. Mas como os casais viviam na mesma casa, todos estavam acostumados à presença dela. Quando finalmente a peluda deu sinais de que não conseguiria sentir em frente, a ucraniana não pensou duas vezes: pegou-a no colo e carregou-a no restante da travessia.

Finalmente na fronteira, as autoridades ucranianas organizaram algumas tendas de campanha, para proteger os refugiados do tempo frio. Alisa e a família passaram cerca de sete horas em uma tenda, aguardando a autorização para entrar na Polônia.

Nesse meio tempo, outra mulher pediu que Alisa levasse a filha – uma criança de 11 anos – no seu grupo, porque as autorizações de entrada no país vizinho antecipavam grupos menores (os mais numerosos tiveram de esperar por mais tempo).

Alisa, naturalmente, concordou e combinou de encontrar a mãe angustiada já em território polonês. A passagem na fronteira, no entanto, era complicada. Em vários postos instalados, era necessário apresentar documentos de todos os membros de cada grupo – a passagem de estrangeiros estava sendo dificultada.

A mulher e a família passaram por incontáveis tendas de campanha até chegar à segurança do lado polonês – ela contou que chegou a sonhar com as tendas vermelhas, depois que estava abrigada em um campo de refugiados.

Finalmente, Alisa percebeu que estava a salvo, fora do alcance do conflito. Graças à determinação desta mulher, a cachorra também conseguiu escapar, assim como todos os membros da família.

Agora, Alisa e a irmã esperam reencontrar os respectivos maridos e, talvez um dia, retornar à rotina em Kiev. Guerras sempre transformam vidas e os reflexos quase nunca apresentam aspectos positivos.

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