Morador de rua declara amor incondicional ao cachorro: “Na hora da comida, primeiro ele, depois eu”

O morador de rua se emociona na hora de falar do cachorro: “Na hora da comida, primeiro ele, depois eu”.

Carlos Augusto de Lima Souza, conhecido apenas como “bin Laden”, é mais um dos milhares de moradores em situação de rua em São Paulo. Ele vive com um cachorro chamado Truque, o seu melhor amigo, e faz questão de declarar amor incondicional ao parceiro.

A cidade mais rica do país, paradoxalmente, não oferece condições de moradia dignas para 42 mil dos seus habitantes (dados de um levantamento do Observatório de Políticas Públicas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). O número é equivalente ao total de moradores de diversas cidades brasileiras, como Rio Negrinho (SC) e Barreiros (PE).

Morador de rua declara amor incondicional ao cachorro: “Na hora da comida, primeiro ele, depois eu”
Foto: TV Repórter em Ação

Bin Laden e Truque

Sem participar de nenhum programa social de distribuição de renda, Carlos Augusto sobrevive com o que consegue coletar nas ruas de São Paulo e revender nas cooperativas de reciclagem. São apenas alguns reais a cada dia.

São Paulo é a cidade brasileira que mais gera lixo (são 27 mil toneladas diárias) e a atuação dos catadores é fundamental para pelo menos atenuar o problema do acúmulo dos dejetos. A metrópole é também uma das campeãs em reciclagem.

Carlos Augusto depende também de doações esporádicas de alimentos e roupas. A prefeitura da cidade mantém um serviço de distribuição, mas ONGs, grupos de amigos e mesmo pessoas sozinhas são os principais meios de distribuição aos necessitados.

Com muita dificuldade, Bin Laden consegue faturar o mínimo necessário para não morrer de fome, mas faz questão de dividir o pouco que recebe com o fiel companheiro. Truque, um cachorrinho preto e branco sem raça definida, acompanha o tutor nas andanças pelas ruas da cidade, que sabe ser hostil.

Morador de rua declara amor incondicional ao cachorro: “Na hora da comida, primeiro ele, depois eu”
Foto: TV Repórter em Ação

Nos momentos das refeições (na maior parte dos dias, ocorre apenas uma), Bin Laden faz questão de alimentar primeiro o cachorro. Só depois que o cãozinho está saciado, chega a vez de Carlos Augusto comer.

A movimentação de Bin Laden, especialmente com a chegada do frio intenso à capital paulista, despertou a curiosidade da imprensa. Muitos repórteres têm mostrado a dura realidade da vida nas ruas, conseguindo, em alguns casos, granjear simpatia e aumentar as doações.

Carlos Augusto contou que encontrou Truque perambulando sozinho na rua. Era possível notar que se tratava de um cachorro idoso e frágil – Truque não estava se dando muito bem na condição de morador de rua.

Desde o momento em que o viu pela primeira vez, o sem-teto se sentiu tocado pelo animal. Apesar de muito frágil e carente, Truque é um cãozinho leal e muito devotado. A dupla está junta há alguns anos.

Enquanto Bin Laden é responsável por recolher e vender o material reciclado, obter comida e alimentar os dois, o cãozinho se tornou um fiel escudeiro. Ele toma conta da carroça, brinca com o tutor, ajuda a esquecer as amarguras da vida e ainda o aquece nas noites frias, ainda mais geladas sem um abrigo condizente.

Carlos Augusto contou também que não gosta de ficar nos abrigos da cidade (além da prefeitura, algumas ONGs e igrejas mantém albergues). O motivo é que esses locais oferecem apenas o pernoite – algumas entidades também oferecem café da manhã e jantar.

A maioria, no entanto, não permite a presença de animais e, quando eles são admitidos, devem permanecer em canis muitas vezes desprotegidos – a maioria é apenas uma área gradeada com tela, coberta por telhas.

Os animais ficam todos juntos, sentem muito frio e quase sempre se envolvem em brigas – é possível imaginar as reações de animais estranhos, separados dos tutores e acolhidos em condições inadequadas.

Por isso, Bin Laden e Truque preferem dormir nas ruas. Algumas ONGs distribuem agasalhos e cobertores. Durante a fase mais crítica da pandemia de Covid-19, voluntários chegaram a entregar pequenas barracas.

Carlos Eduardo faz questão de dizer que não dá sobras para o cãozinho: “Nós comemos quase no mesmo prato, eu como as sobras depois que ele está satisfeito, e não o contrário”. Carlos fica emocionado ao falar sobre o amigo fiel que encontrou em meio a tantas negativas e privações.

Uma das equipes de reportagem que abordou a dupla percebeu que Carlos Augusto realmente se sente responsável pelo parceiro e faz de tudo para garantir um mínimo de conforto. Truque ganhou até mesmo um tratamento médico.

Com a melhor disposição do cachorro, Bin Laden faz planos para uma vida mais digna. Ele pretende conseguir um emprego e deixar finalmente as ruas. Talvez o sem-teto precisasse apenas de um estímulo para transformar a própria existência – e este estímulo se chama Truque.

Não vai ser fácil. As condições objetivas de vida impedem sonhos muito altos. A pandemia e, mais recentemente, a guerra na Ucrânia estão prejudicando a economia mundial. Mas, talvez, ajudando-se um ao outro, Bin Laden e Truque possa sonhar com dias mais felizes.

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