Homem enfrenta sucuri para salvar cachorro: ‘Eu morreria se não conseguisse soltá-lo’

Um produtor rural conseguiu salvar a vida do cachorro de um “abraço” de sucuri.

Gildo Loureiro, um homem de 68 anos, lutou contra uma sucuri para salvar a vida do Tico, o seu cachorro de estimação, que vive com o produtor rural há quatro anos, desde que era filhote. O confronto ocorreu em Potirendaba, no noroeste de São Paulo.

As sucuris são répteis de grande porte, que não têm peçonha, mas matam por constrição: elas se enrolam nas vítimas e, em um “abraço apertado”, transformam as presas em um tubo roliço, semelhante a salame, ideal para ser engolido por elas.

Homem enfrenta sucuri para salvar cachorro: 'Eu morreria se não conseguisse soltá-lo'
Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior

O salvamento do cachorro aconteceu no final de março de 2022, causou comoção na pequena cidade e foi parar nas manchetes dos jornais locais. No começo de abril, a luta contra a cobra já estava viralizando nas redes sociais e nos blogs de notícias.

O salvamento

Gildo caminhava com Tico quando o cachorro foi surpreendido pela sucuri. Aos repórteres, o produtor rural disse que costuma ir de moto, todos os dias, até a margem do rio Borá, que corta a sua propriedade.

O homem é sempre acompanhado pelos quatro cachorros que vivem com ele – Tico é o mais velho da matilha. Os quatro peludos estão presentes na maior parte da rotina diária do idoso, do amanhecer ao pôr-do-sol.

Quando Gildo e os cachorros estavam voltando para casa, o homem ouviu um grito abafado e correu para verificar. Tico tinha sido atacado pela sucuri, que tentava enrolar o cachorrinho e arrastá-lo para uma poça d’água.

Homem enfrenta sucuri para salvar cachorro: 'Eu morreria se não conseguisse soltá-lo'
Foto: Luiz Aranha/Gazeta do Interior

As quatro espécies existentes de sucuris apresentam hábitos semiaquáticos, mas também são excelentes caçadoras em terra firme. Os maiores espécimes chegam a atacar até mesmo jacarés e onças-pardas. Todas elas vivem na América do Sul, da Venezuela até o norte da Argentina.

Gildo contou à imprensa que não conseguiu refletir muito bem no momento: “Eu fiz isso por amor. Eu morreria se não conseguisse soltá-lo”, disse o tutor, dando um exemplo de responsabilidade e dedicação.

O tutor precisava afastar a cobra, que parecia satisfeita em ter encontrado uma refeição sob medida. Mesmo ferido, Gildo conseguiu armar-se com um pedaço de madeira e bateu no réptil, até que ele desistiu de arrastar o cachorrinho.

Depois do ataque – e do susto – o produtor rural correu com Tico para casa, limpou-o rapidamente e levou o animal até uma clínica veterinária em Mendonça, cidade distante 32 km de Potirendaba. O tratamento médico aplicado a tempo garantiu que o cachorro sobrevivesse sem sequelas.

O produtor rural contou ainda que fazia muito tempo que não avistava uma sucuri na região. 15 anos atrás, um desses répteis havia matado um bezerro da propriedade, mas os casos são bastante raros.

Gildo também está se recuperando do trauma. Ele encerrou a entrevista contando: “Nos dias seguintes [ao ataque], eu não consegui dormir direito. Aquela cena horrorosa ficava na minha mente, mas já estou superando”. O tutor está de parabéns pelo gesto.

Serpentes gigantescas

O espécime que atacou Tico tinha quatro metros de comprimento, de acordo com o relato de Gildo. Trata-se de um animal imenso, especialmente considerando o local em que foi encontrado, na transição do cerrado.

Ao tentar livrar Tico da sucuri, o produtor rural também se feriu. As sucuris e as jiboias (os dois gêneros figuram entre as maiores serpentes do mundo: uma sucuri-amarela pode atingir oito metros de comprimento.

Estes répteis não possuem toxinas capazes de provocar danos a seres humanos (nem mesmo a crianças e pessoas com problemas de imunodepressão). Mesmo assim, elas podem atacar e morder – e as mordidas são sempre dolorosas, além de serem portas de entrada de eventuais infecções.

Sucuris e jiboias (e também as primas do gênero píton, que vivem na África equatorial e no sul da Ásia) não representam riscos para os humanos. Elas normalmente caçam capivaras e filhotes de antas, veados e outros mamíferos.

Mesmo assim, o ataque de uma dessas cobras pode causar dores, fraturas e eventualmente a morte. Uma jiboia criada em casa, por exemplo, pode matar o tutor, se puder enroscar-se no pescoço. É muito provável que só depois da execução, o animal perceba que não tem condições de “comer a presa”.

Mesmo em terrários e aquários, as cobras não desenvolvem nenhum tipo de sentimento em relação aos criadores: é como ter um terrário ou aquário de anfíbios, peixes e outros répteis: muito bonito de ver, mas sem nenhuma interação.

Existe uma “regra” entre os amantes de serpentes gigantescas (como animais de estimação): para cuidar de uma delas, para cada metro e meio de cobra, são necessárias duas mãos humanas para manipular.

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