Família abandona cachorro doente depois da morte da tutora

Um cachorro mimado e comportado foi abandonado na rua depois que a tutora faleceu.

Osito (“ursinho”, em português) é um cachorro de médio porte sem raça definida que morava com a tutora. Como todo bom cachorro – leal, comportado e brincalhão – ele era muito mimado. Mas isso foi antes da morte da amiga. Depois disso, ele foi abandonado e teve de suportar o luto e a solidão.

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Imagem:  Fundación Amigos Animalistas A.C.

O cachorrinho era descrito como sociável e amistoso: um animal que qualquer pessoa gostaria de ter em casa. Mas a vida segue em frente e nem sempre é muito justa. Quando a tutora morreu, Osito foi gradualmente sendo deixado de lado, até que acabou indo parar na rua da amargura.

A história de Osito

O cachorro nunca poderia imaginar que, depois de ter de enfrentar a saudade e a tristeza pela ausência da melhor amiga, ele teria de enfrentar dias ainda mais difíceis. A tutora morreu esperando que os familiares tomassem conta de Osito.

As preocupações do dia a dia, no entanto, aliadas a certa dose de crueldade, mudaram os rumos dos acontecimentos. Osito foi, aos poucos, sendo deixado de lado. Para os parentes, ele era um cachorro incômodo.

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Imagem:  Fundación Amigos Animalistas A.C.

Nos primeiros dias da ausência da tutora, Osito demonstrou toda a tristeza que estava sentindo. Ele passava muito tempo com o olhar parado e expectante, uivava por longos momentos e chegou a recusar a comida.

Era a sua maneira de mostrar a saudade – cada um de nós exibe sinais diferentes do luto, e todos eles devem ser respeitados. Mas, para os parentes, Osito tornou-se um estorvo: era barulhento, isolava-se com facilidade, não queria interagir.

Para complicar a situação, o cachorro foi deixado no quintal da casa nova, sem autorização para entrar na residência. Não há nada de errado em manter os cães em jardins e quintais, especialmente os de grande porte, desde que haja refúgio e sombra para eles.

Mas, para quem, como Osito, estava acostumado com uma cama quentinha, brincadeiras e muitos afagos antes das sonecas, foi uma mudança bastante drástica.

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Imagem:  Fundación Amigos Animalistas A.C.

Osito se transformou em um cachorro barulhento. Ele vivia choramingando pelos cantos. Além da falta que a tutora fazia, ele também se ressentia da carência de carinhos e “conversas” a que estava acostumado.

Apesar das promessas de cuidar do cachorro, que nada faltaria ao peludo, os parentes da tutora não tiveram tempo para se dedicar a Osito. Quanto menos carinho e atenção ele recebia, mais se tornava arredio.

Por fim, a nova família resolveu livrar-se do animal incômodo. Osito foi simplesmente descartado, abandonado nas ruas. Os parentes esqueceram o que tinham prometido e jogaram o cachorro como se fosse um traste inútil.

O resgate

Osito sempre viveu em Culiacán, capital do Estado de Sinaloa, na entrada do golfo da Califórnia, costa oeste do México. Trata-se de uma cidade grande e ensolarada, mas, para um cachorrinho mimado, que sempre viveu em ambientes fechados, Culiacán se mostrou aterrorizante.

O cachorro ficou sozinho por cerca de duas semanas. Ele estava desorientado, com dificuldade para conseguir alimento e abrigo, exposto a brigas com outros cães de rua, doenças e acidentes nas vias – Culiacán é uma cidade grande, com quase um milhão de habitantes na região metropolitana.

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Imagem:  Fundación Amigos Animalistas A.C.

Em questão de dias, Osito estava magro, desnutrido e cheio de pulgas. Os ataques dos animais mais experientes na sobrevivência nas ruas também não demoraram a acontecer. O cachorro também sofreu um processo inflamatório que exigia tratamento com urgência.

Então, apareceram alguns voluntários da Fundação Amigos Animalistas A.C. As equipes costumam percorrer as ruas de Culiacán fornecendo água e ração para os animais de rua. A entidade também resgata cães e gatos em situação de risco.

Os cuidados

A fundação ainda não possui um abrigo, por isso, precisa selecionar os animais que recolhe – os cães e gatos resgatados são mantidos em lares provisórios até que seja encontrada uma família para adotá-los definitivamente.

A situação de Osito, no entanto, era realmente lastimável. O cachorro precisava de socorro urgente e era evidente, pelas condições que exibia, que não conseguiria sobreviver por muito tempo por conta própria. Os voluntários levaram o novo amigo imediatamente para uma clínica veterinária.

Os resultados da avaliação não foram animadores. A inflamação havia gerado um grande abscesso em uma das pernas traseiras. Os exames de sangue detectaram queda no número de plaquetas. O cachorro estava fortemente anêmico e também testou positivo para um parasita na corrente sanguínea.

Osito foi socorrido bem a tempo. A inflamação estava evoluindo para uma sepse (infecção generalizada) e o abscesso teria de ser drenado o quanto antes. Osito ficou internado vários dias na clínica. Os veterinários aproveitaram e esterilizaram o cachorro.

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Imagem:  Fundación Amigos Animalistas A.C.

Já convalescente, a fundação postou a história de Osito nas redes sociais. Em primeira pessoa, o cachorro descrevia as desventuras que se acumularam em pouco tempo na sua vida. As postagens serviram também para arrecadar fundos, que custearam as despesas médicas e hospitalares.

O mais importante, contudo, era encontrar um novo lar para Osito. Alguns pretendentes se apresentaram e a escolha da fundação recaiu sobre a família Duarte, que vive na zona rural de Culiacán.

Na última postagem, o cachorro “contou” que agora tem uma casa nova, com pai, mãe e três irmãs de quatro patas. Ele está vivendo em um sítio, com muito espaço para brincar e muitas novidades para explorar.

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Imagem:  Fundación Amigos Animalistas A.C.

A história do abandono nos causa indignação. Assim como Osito, milhares de outros cães e gatos vivem nas ruas, sem a segurança e o conforto de um lar, expostos a doenças, brigas, acidentes, à fome e ao frio.

É possível entender que alguns humanos não possam ou não queiram conviver com um animal de estimação. Cada ser conhece a própria disponibilidade (ou falta dela) para acolher outro ser. O abandono, no entanto, não pode ser justificado em nenhuma circunstância. Cães e gatos podem ser entregues a novos tutores ou em abrigos, que poderão cuidar deles. Jogar um animal na rua é um crime.

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