Este cachorro vagou pelas ruas atrás da avó falecida há dois anos

Apesar de ter família, o cachorro vagou pelas ruas atrás da atenção que recebeu da vovó.

Na área suburbana de uma pequena cidade, os moradores se acostumaram a avistar um cachorro branco de porte médio vagando pelas ruas. Todos os vizinhos o conheciam e acreditavam se tratar de um animal sem dono, mas, na verdade, ele estava atrás da vovó, com quem se acostumara a passear.

Infelizmente, Jindol – este é o apelido dado ao cachorro – nunca mais veria a vovó, a quem ele era tão afeiçoado. A idosa havia adoecido subitamente, foi internada e faleceu em poucos dias. Mas o cão não tinha como saber disso: só sabia que havia se desencontrado da sua parceira de caminhadas.

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Jindol

Muito manso e pouco curioso, Jindol impressionava pela magreza, a sujeira e a tristeza que demonstrava. Ele pouco interagia com os moradores da vila e muitos se assustavam quando ele resolvia vagar pela estrada, no meio dos carros acelerando.

O que as pessoas não sabiam é que Jindol não é um cachorro vadio. Ele tem casa e uma família, mas ainda não se conformou com a perda da vovó, mesmo depois de dois anos da morte da idosa.

Os tutores de Jindol trabalham o dia inteiro e retornam para casa apenas ao anoitecer. Por isso, o cachorro branco se acostumou a passar os dias com a avó materna, a quem sempre acompanhava nas pequenas compras e visitas.

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Com a hospitalização e morte da idosa, Jindol manteve a mesma rotina. Ele saía de casa, assim que percebia que os tutores já tinham ido trabalhar. Passava um tempo em frente à casa da vovó, para ele estranhamente quieta e sem movimento.

Em seguida, ele vagava pelo bairro, talvez à procura da amiga de caminhadas. Jindol tinha alguns lugares especiais, em que se demorava um pouco antes de retomar o trajeto. Talvez fossem os lugares em que a idosa parava para descansar e tomar fôlego. Ele costumava ficar mais tempo em frente ao templo e junto a algumas lojinhas do centro da vila.

O vínculo entre a vovó e Jindol era muito forte. Tão forte que não se abalou com a morte da idosa. E, por passar o dia inteiro nas ruas, ele estava sempre sujo e desgrenhado. Faminto, ele perdeu peso rapidamente, apesar de ter ração disponível em casa.

A recuperação

Um grupo de defesa dos direitos dos animais interessou-se pela história de Jindol. Afinal, na região, eram poucos os cães vadios que vagavam pelas ruas. O cachorro branco atraiu a atenção e começou a ser estudado.

Os ativistas estavam preocupados com a saúde e o bem-estar do cachorro. Eles perceberam que Jindol costumava ficar em locais frequentados pelos idosos do local, mas não se demorava com ninguém em especial.

O cachorro foi levado ao veterinário, que identificou uma pequena insuficiência renal, comum em cães idosos, e nenhum outro problema físico. A surpresa maior, no entanto, ainda estava apor vir. Os ativistas descobriram a família de Jindol e, observando-os, perceberam que o cachorro tinha pais amorosos e responsáveis.

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O médico havia recomendado que os ativistas deixassem o cachorro seguir a sua rotina e continuar passeando, já que estas atividades garantiam certo conforto emocional a Jindol. Mas, ao descobrirem a família humana, os voluntários decidiram tentar entender o comportamento do peludo.

A solução do enigma não foi difícil de ser encontrada. Os pais de Jindol contaram aos ativistas que saíam muito cedo de casa e passavam o dia inteiro fora, trabalhando. Por causa disso, o cachorro havia se acostumado a passar o tempo com a avó, que morava na mesma quadra.

Com a morte da idosa, os tutores haviam decidido manter o cachorro preso, mas ele escapou diversas vezes – algumas elas, com risco de se ferir. Por isso, eles resolveram permitir que Jindol passeasse sozinho, mas ele sempre estava em casa quando os pais voltavam.

O veterinário voltou a ser consultado e descobriu o problema de Jindol: o cachorro sofria de “falta de atenção”. A vovó havia preenchido os dias dele, com brincadeiras, conversas e passeios. Agora, ele tinha apenas a companhia de tutores exaustos.

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Desde então, teve início a “terapia” de Jindol. A tutora se prontificou a passear todos os dias com o cachorro, sem se importar se estava chovendo, fazendo frio, etc. Em troca, o peludo apresentou diversos locais desconhecidos da vila.

Jindol vem se mostrando mais equilibrado desde que começou a passear com a tutora. As caminhadas diárias, muito mais do que exercícios físicos, permitem aos cães explorarem o ambiente, descobrirem coisas novas e identificarem conhecidos.

Os cães são animais gregários. Isto significa que eles vivem em grupo, assumindo responsabilidades diferentes e compartilhando “alegria e tristeza” com os demais membros. Sem isso, eles perdem o equilíbrio emocional e podem desenvolver uma série de doenças, como ansiedade e depressão.

Jindol está muito bem, vagando por quase uma hora diária na companhia da tutora – mesmo debaixo de neve. Ele também brinca em casa com os pais e não tem mais autorização para sair de casa sozinho. Ele está feliz, ficou famoso na vila e melhorou a qualidade de vida da família.

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