Cachorro devolvido chora de tristeza e se recusa a comer

Ele foi devolvido três dias depois da adoção. Ficou triste, recusou a comida e perdeu peso.

Pacho é um cachorro de cerca de um ano que vivia perambulando nas ruas de Tarento, cidade de 200 mil habitantes no sul da Itália, na região da Apúlia. Ele estava sempre vasculhando as calçadas, procurando comida e segurança.

O vira-lata tinha o hábito de seguir os humanos que encontrava pelo caminho, em busca de alimento e talvez de algum gesto de carinho, mas ninguém dava muita atenção. Certo dia, Pacho foi apreendido e levado para um abrigo local.

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O lugar era perfeito, pelo menos na opinião de Pacho. Ele recebeu comida, agasalho, atendimento veterinário e um pouco de atenção dos tratadores do abrigo. Parecia a melhor vida possível, e assim seguiu durante meses, até que alguém se interessou em adotá-lo.

Abandono instantâneo

Uma família visitou o abrigo e ficou interessada no cachorro ainda jovem, curioso e muito inteligente. Pacho, um vira-lata caramelo, sentiu a alegria de talvez conquistar uma casa e tutores atenciosos e amorosos.

Todos no abrigo ficaram felizes com o cachorro, que tinha conquistado corações. Erika Niccolai, que cuidava pessoalmente de Pacho, ficou ainda mais empolgada com a adoção. Afinal, um cão abandonado estava se transformando em animal de estimação.

A alegria, no entanto, durou muito pouco. Três dias depois, Pacho foi devolvido ao abrigo: a família decidiu que não queria mais morar com ele. O cachorro foi colocado no mesmo gradil, do qual ele talvez se lembrasse apenas como parte de antigos pesadelos.

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Pacho não conseguia entender o que tinha acontecido. A família alegou que o cachorro era muito bagunceiro, latia demais e estava perturbando a vizinhança, mas seria possível avaliar o temperamento do cachorro em apenas 72 horas?

A rejeição repercutiu fortemente no ânimo de Pacho. Ele estava tão angustiado que parou de comer – e o cachorro já era conhecido pela voracidade. Em poucos dias, o peludo perdeu cinco dos seus 25 quilos.

O comportamento também mudou. Antes, Pacho, apesar de tímido, se mostrava sempre brincalhão e curioso, acompanhando o movimento e seguindo todos os tratadores. Depois da adoção e rejeição, ele se tornou silencioso. A alegria de viver simplesmente desapareceu.

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Pacho desenvolveu o hábito de chorar pelos cantos. Ele não conseguiu entender o que fez de errado para que deixassem de amá-lo tão rapidamente. O cachorro ficou esperando a família, sem saber por que estava de volta ao abrigo.

Adoções irresponsáveis

Infelizmente, a história de Pacho não é exceção. Milhares de cachorros sofrem o abandono diariamente, ficando expostos à fome, ao frio e a violência das ruas. Os brasileiros são muito sensíveis à adoção de animais – de acordo com o IBGE, um quarto dos cães e gatos domiciliados são adotados.

No entanto, não basta apenas adotar: é preciso criar a consciência da responsabilidade. Quando um cachorro é recebido, ele passa a ser totalmente dependente do novo tutor: para se alimentar, se aquecer, se proteger, se divertir, etc.

A principal causa do abandono é justamente a adoção irresponsável. Muitas pessoas escolhem um cachorro ou gato como se estivessem escolhendo um móvel ou objeto de decoração que, quando fica velho ou perde a utilidade, pode ser simplesmente descartado.

Os candidatos a tutores devem se conscientizar. Cachorros vivem de 12 a 15 anos (ou mais) e a adoção, portanto, é um projeto de vida de longo prazo. Nada justifica abandonar um animal: perda de rendimentos, nascimento de filhos e mudança de casa estão entre as desculpas mais utilizadas, mas não se pode esquecer que os peludos fazem parte da família.

Ninguém pensaria em abandonar o avô porque mudou para uma casa menor, ou um filho, porque ele é muito malcriado. Quem vive com um cachorro deve raciocinar da mesma maneira. Ninguém é obrigado a ter um animal de estimação, mas a “opção” desaparece no momento da adoção. A partir de então, torna-se obrigação moral e inclusive legal (abandonar e maltratar animais é crime).

Os abandonos não geram apenas problemas para os cachorros, que se veem, de um momento para outro, sem aconchego, carinho e alimento. É também uma questão de saúde pública e até mesmo de zeladoria. Milhares de cães e gatos esperam para serem adotados, mas é importante que os candidatos sejam responsáveis. Se não, é melhor comprar um bicho de pelúcia.

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