Cachorro abandonado vigia carro roubado até a chegada do dono e acaba adotado

O carro roubado foi localizado pela polícia, mas o cachorro não deixou ninguém chegar perto. O cachorro foi adotado pelo dono do carro.

O eletricista Vítor Mangino, de 18 anos, recebeu um susto e uma excelente notícia como presentes de começo de ano. No dia 15/01/22, ele teve o carro roubado enquanto participava de uma festa na Vila Margarida, em Campo Grande (MS).

Alguns dias depois, o carro de Vítor foi localizado pela Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, mas, para surpresa dos oficiais que atenderam à ocorrência, uma “sentinela feroz” não deixou ninguém se aproximar – pelo menos, até a chegada do dono ao local.

O roubo

Vítor sempre sonhou em ter o próprio carro. Quando completou 18 anos, em 2021, ele juntou as economias dos últimos três anos de trabalho, conseguiu a carteira de habilitação e adquiriu um automóvel usado.

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Aparentemente, no entanto, o sonho havia se desfeito em cinzas. No meio da festa, chegou a notícia de que o Corsa prata, que estava estacionado em uma rua paralela ao local do evento, havia sido roubado.

Entre 23h e 3h, amigos do alheio encontraram o automóvel de Vítor e aproveitaram para subtraí-lo. O carro é um dos modelos mais visados pelos ladrões, para venda em desmanches ilegais, que obtêm bons lucros com a revenda de peças e acessórios.

Quando deixou o local da festa, Vítor não encontrou o carro. O proprietário contou à reportagem que andou por algumas quadras da Vila Margarida, tentando sem êxito encontrar alguma pista sobre o paradeiro do automóvel.

A madrugada de lazer e descontração terminou de forma melancólica no Distrito Policial, onde o motorista tristonho registrou a ocorrência, depois de ter chamado os pais – pelo menos, para dar apoio moral. No domingo, Vítor e seu pai ainda circularam pela Vila Margarida, em busca de algum indício.

Mas, a cada dia que se passava, menores eram as chances de reaver o bem. Nas horas seguintes ao roubo, Vítor ficou sabendo que outros três carros haviam sido roubados nas imediações naquela noite – e foram encontrados queimados posteriormente.

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A recuperação

Por fim, Vítor foi surpreendido por um telefonema, que trazia boas e más notícias. O rapaz rapidamente imaginou que o carro havia sido recuperado, mas totalmente “depenado”: sem motor, peças, bancos, pneus, etc. É muito comum, no Brasil, que carros furtados sejam encontrados praticamente desmontados em alguma rua menos movimentada.

Contudo, a má notícia não era essa. O carro estava inteirinho, mas um cachorro feroz aparentemente havia se apropriado do Corsa. Ele subiu no capô e não permitia que ninguém se aproximasse – inclusive os policiais.

Vítor recebeu a ligação telefônica quando estava em outra festa – desta vez, na comemoração do aniversário de um primo. O agente policial informou que um carro com as mesmas características havia sido encontrado com as portas abertas, mas sem sinais de avarias. Porém, o cachorro, com cara de poucos amigos, não parecia disposto a deixar ninguém se aproximar.

Vila Margarida fica na zona norte de Campo Grande. O carro foi achado no bairro Moreninhas, na zona sul, cerca de 18 km de distância. O policial conferiu as placas do veículo e confirmou tratar-se do precioso Corsa de Vítor.

O policial chegou a perguntar se, junto com o carro, um cachorro havia sido roubado, porque o “segurança do Corsa” não se afastava do automóvel. Um perfeito cão de guarda.

Chegando ao local, Vítor percebeu que o carro tinha alguns sinais de colisões, mas nada que um bom funileiro não pudesse corrigir. O cachorro, no entanto, continuava em seu “posto fixo”. Ao ver o jovem, o animal pareceu feliz e agitado.

Vítor pôde aproximar-se do carro sem problemas. Aparentemente, o cachorro notou algo estranho no carro abandonado, mas, com a chegada do dono, ele o identificou – o cheiro do veículo e do jovem eram idênticos.

Este poderia ser o final feliz da história, já que Vítor recuperou o carro e o cachorro cumpriu seu papel de protetor e guardião. Mas a visão do peludo cuidando de um carro que ele nem sabia a quem pertencia merecia um epílogo – um final ainda mais feliz.

“Parecia que ele me conhecia desde sempre”, disse Vítor à reportagem do G1. “Ele ficou ali, me olhando e abanando o rabo, como se soubesse que o carro era meu. Eu não poderia simplesmente deixá-lo para trás”.

O cachorro de porte médio estava desnutrido e muito sujo, mas revelava uma dignidade e uma lealdade à toda prova. Vítor decidiu adotá-lo e levá-lo para casa, juntamente com o carro recuperado depois de dias de aflição.

“Resolvi levar ele comigo”, afirmou Vítor”. “Este cachorro cuidou do meu carro e estava me esperando: ele é ou não é um anjo de quatro patas? Ele tinha que ser meu, ganhei meu carro de volta e um grande companheiro”.

O cachorro recebeu o nome de Heineken. Vítor já é tutor de dois outros cães, Bud e Charlote, que não estranharam nem um pouco a chegada do novo amigo à casa. “Eu nunca tinha visto o Heineken na vida, foi coisa de Deus. Ele se deu bem com os meus pais e os cachorros assim que chegou em casa”.

Vítor tem muito trabalho pela frente para recuperar o carro. Os ladrões retiraram as rodas especiais e o aparelho de som instalado no porta-malas, que ainda tem prestações a serem pagas. O Corsa teve de ser guinchado até a garagem da casa de Vítor, onde permanece à espera de conserto.

O eletricista contou que está indo trabalhar de bicicleta, enquanto pensa em uma maneira de pagar o conserto, que deve ficar por volta de R$ 7.000. Vítor também precisa de dinheiro para financiar o tratamento de Heineken, que está muito abaixo do peso.

A vida continua, de qualquer forma. Vítor arremata a história: “Foi um prejuízo grande. O carro está sem rodas, o motor não está funcionando, perdi muitas coisas, mas não posso reclamar: eu ganhei um grande companheiro”.

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